
Minha Doutora
Criador · Projeto pessoal, em desenvolvimento
Meus dados de saúde deveriam estar nas minhas mãos
A Minha Doutora começou com minha namorada pedindo meus exames. Virou um cofre pessoal de saúde pensado para dar controle, facilitar o compartilhamento e ajudar no cuidado.
Minha namorada é médica. Ela me pedia meus exames e resultados laboratoriais, e eu começava a procurar em lugares diferentes, tentando lembrar onde cada arquivo tinha ido parar.
Era uma pequena frustração que se repetia. Também revelava um problema maior: os laboratórios tinham meus dados de saúde nos sistemas deles, mas eu não tinha uma cópia útil e organizada nas minhas próprias mãos.
Queria um lugar onde pudesse guardar esses documentos e compartilhá-los com alguém que estivesse me ajudando. Achei que isso também teria valor para os médicos. Então comecei a construir algo para mim e para minha namorada.
Um cofre pessoal, centrado na pessoa
O projeto virou a Minha Doutora.
O ponto de partida é o controle sobre os próprios dados. A pessoa a quem os documentos se referem precisa conseguir encontrá-los, entender o que está guardado e decidir quem pode vê-los.
Pode ser um médico se preparando para uma consulta, um familiar ajudando nos cuidados ou alguém de confiança que precisa acessar um documento específico. O compartilhamento deve ser claro o suficiente para que essa escolha seja consciente.
A motivação é pessoal. Quero facilitar o cuidado entre as pessoas.
Guardar os documentos, escolher quem pode vê-los
O fluxo principal é um cofre de documentos:
- Adicionar documentos de saúde à sua própria coleção. A aplicação preserva o arquivo original.
- Encontrar o documento novamente pelas suas informações e pelo texto pesquisável.
- Escolher entre compartilhar documentos selecionados ou convidar alguém para o cofre.
- Aguardar o aceite do convite e, depois, revisar ou revogar o acesso quando necessário.
O código distingue o compartilhamento de arquivos selecionados do acesso a um cofre que inclui documentos atuais e futuros. A interface também oferece links, QR codes e convites. Abrir um convite não concede acesso por si só.
Grupos familiares acrescentam outra forma de organizar o cuidado. Uma pessoa pode ter acesso por um convite direto e por um grupo. Remover uma dessas relações deve preservar outra permissão válida. A lógica de acesso acompanha essas origens separadamente.
Esses detalhes importam porque “compartilhar meus dados” precisa ter um significado que o dono compreenda.
A possibilidade de IA começa com dados úteis
Parte da motivação inicial era não conseguir disponibilizar meus documentos facilmente para minhas próprias ferramentas de IA. Eu queria poder decidir o que fazer com esses dados, inclusive explorar usos futuros com agentes.
Usar agentes pessoais com esses documentos é uma direção que quero explorar. O projeto atual começa pela base: guardar documentos, controlar o acesso e facilitar a organização e a revisão de seu conteúdo.
O repositório também contém um pipeline opcional de extração. Ele pode classificar um documento e extrair informações estruturadas, mantendo referências à fonte. Arquivos originais, informações extraídas e correções aceitas ficam separados. Um novo processamento não deve substituir silenciosamente algo que uma pessoa já conferiu.
Uma camada pequena sobre ferramentas consolidadas
Construí a aplicação em torno do Paperless-ngx, que cuida dos arquivos originais, OCR, busca e permissões dos documentos. A camada de produto se concentra na pessoa, no cofre e nas relações ao redor dele.
| Parte | Implementação |
|---|---|
| Aplicação | Next.js, React e TypeScript. |
| Identidade | Better Auth com entrada por email e suporte a Google. |
| Documentos | Paperless-ngx para originais, OCR, busca e permissões. |
| Dados do produto | PostgreSQL para contas, convites, acessos, tarefas de processamento e revisão. |
| Extração opcional | DeepSeek, texto e imagens das páginas, validação estruturada e referências à fonte. |
| Implantação | Docker Compose em um Raspberry Pi, com Cloudflare Tunnel servindo a aplicação. |
app/ → interface, identidade, compartilhamento, processamento
design/ → regras visuais e de interação
docker/ → serviços, workers, implantação
docs/ → decisões de produto e operação
A arquitetura mantém a verificação de permissão próxima do acesso ao documento. Registros do produto, grupos ou links não concedem acesso independente a um arquivo. Cada leitura ainda precisa respeitar as permissões atuais do documento.
Tarefas em segundo plano cuidam do trabalho que demora mais do que uma requisição de página, como processar documentos e manter as relações de compartilhamento sincronizadas. O PostgreSQL guarda o estado dessas tarefas para permitir novas tentativas depois de uma interrupção.
A extração opcional também preserva incertezas. Valores e datas precisam ter apoio no documento original. Um valor revisado permanece separado de uma nova extração, e o original é mantido. Assim, quem confere um resultado consegue verificar de onde ele veio.
Tornar o cuidado um pouco mais fácil
O projeto começou com alguém que amo me pedindo um arquivo. Isso continua sendo um bom teste para cada nova ideia: vai ficar mais fácil encontrar a informação certa e compartilhá-la com a pessoa certa?
Quero poder usar e cuidar dos meus dados. Quero que as pessoas que me ajudam gastem menos tempo esperando por eles. A Minha Doutora é minha tentativa de tornar isso um pouco mais natural.